domingo, 27 de fevereiro de 2011

Ano Internacional da Química

Na semana que hoje termina realizou-se na Escola uma actividade com o tema genérico de
Semana da Ciência / Ano Internacional da Química.
A esse propósito lembrei-me de apresentar um documento da Biblioteca Escolar muito interessante por várias razões, porque é um livro pouco vulgar, porque é de uma edição da Imprensa Nacional, porque foi editado há 80 anos e porque é um manual para a V Classe do Ensino Secundário Oficial da época.
Elementos de Química - parte III

O autor Aquiles Machado, professor, engenheiro, general na reserva, apresenta os conteúdos da disciplina com clareza e descrição metódica, numerando-os até para mais fácil pesquisa, aliando o conhecimento abstracto à prática e à experimentação, recorrendo também a imagens ilustrativas.

A escolha que apresento partiu da curiosidade sobre um nome - o metano, um gás (inflamável) que está constantemente a ser emitido para a atmosfera e 60% dessas emissões são por acção humana e em particular na agricultura e nos terrenos húmidos.
Mas a grafia que aparece no manual de 1931 é metana ou gás dos pântanos ou formena.
A grafia de metana e formena, como substantivos femininos, foi substituída vinte anos depois pela forma masculina de metano e formeno, embora este último termo termo esteja em desuso, como podemos constatar nos dicionários da língua portuguesa.

A imagem do texto é do livro Elementos de Química do professor Achilles Machado, da Faculdade de Ciências de Lisboa, editado em Lisboa pela Imprensa Nacional, em 1931, na página 334, quando inicia o estudo do capítulo da Química que trata dos compostos orgânicos “que são, por exemplo, pouco resistentes à acção do calor, ao contrário com o que sucede a um grande número de compostos minerais”. E introduz o assunto situando-o: “como todas as substâncias orgânicas têm um elemento em comum, o carbono, também se pode dizer que o objecto da Química Orgânica é o estudo dos compostos do carbono.” [Os termos em itálico estão assim também no texto original]

O nome de "gás dos pântanos" foi o nome original dado a este gás por um investigador  italiano Alessandro Volta (1745-1827), um apaixonado pelas ciências da natureza e sobretudo pelo estudo da electricidade, mais conhecido por ter descoberto a pilha eléctrica, no tempo do império de Napoleão, que por isso o nomeou conde, em 1810. Mais tarde, os cientistas decidiram homenagear as suas descobertas atribuindo o seu nome a uma unidade eléctrica - o "Volt" ou "vóltio" com o símbolo 'V'.
Mas anos anos da criação da pilha eléctrica já A. Volta tinha descoberto o futuro "metano" quando por volta de 1778 estudou os lodos e pântanos do fundo do enorme lago Maior (Maggiore, em italiano), não muito longe de Como, a localidade onde nasceu, na Lombardia, no norte de Itália, e que também fica na margem do um lago, fazendo exactamente a recolha como mostra a imagem do livro: agitando o fundo e recolhendo as bolhas assim libertadas através de um funil para dentro de um frasco cheio de água.

Com o metano assim recolhido fez experiências de explosões controladas e criou ainda um equipamento capaz de medir a força da explosão e a quantidade de oxigénio presente no ar - a pistola de Volta.


O metano ou gás dos pântanos que já existia há milhões de anos, e continuará a existir como quando se escrevia a metana ou a formena, … mas hoje as suas emissões como a de mais alguns outros gases estão sob o olhar mais atento dos cientistas porque o volume das suas emissões tem aumentado muito mais nos últimos cem anos e como têm um efeito estufa contribuem para o aquecimento global da Terra que pode já estar em curso.

E assim demos uma pequenina volta ao universo da química e da sua história.

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