terça-feira, 21 de setembro de 2010

Outono - 23 de Setembro

Acontece que ....

a 23 de Setembro de 2010, quinta-feira, mais uma vez, começa o OUTONO.
Este fenómeno astronómico acontece no dia 22 de Setembro nuns anos e noutros a 23.
Hoje o Sol ao meio dia está na perpendicular da linha do Equador. A posição em que a Terra se encontra hoje na órbita elíptica em volta do Sol (que ocupa um dos focos) designa-se então de equinócio do Outono no hemisfério norte e equinócio da Primavera no hemisfério sul. Equinócio porque hoje o dia é igual à noite, cada uma das partes com 12 horas exactas, nos dois hemisférios: norte e sul.
Foi por volta de 1605 que Johannes Kepler nos ajudou a perceber melhor a forma geométrica da órbita da Terra em volta do Sol como não percorrendo uma cirfunferência mas uma elipse, ideia inovadora apresentada na sua 1ª lei [de Kepler], publicada em 1609, ao afirmar que a órbita dos planetas em redor do Sol é elíptica, situando-se o Sol num dos focos. A forma geométrica de elipse (e o seu desenho) já era conhecida na antiguidade pelos Gregos mas as órbitas dos planetas eram sempre imaginadas como circulares.

A Terra continua a acelerar o seu movimento em volta do Sol à medida que se aproxima do momento em que se encontrará mais próxima do Sol, lá por volta do Natal, no soltício de inverno. No mesmo período as noites serão cada vez maiores e os dias cada vez menores, no hemisfério norte, e ao contrário no hemisfério sul.
Hoje, o Sol, visto da Terra, entra no Signo da Balança, ou, o que é equivalente, a Terra, vista do Sol, entra no signo do Carneiro!




Nas iluminuras medievais e por exemplo no Livro de Horas chamado de D. Manuel, de 1517, o mês de Setembro é assinalado naturalmente com referências às vindimas e à produção do vinho, mas as iluminuras dos calendários muitas vezes desenham uma referência ao signo da Balança como nas Mui Ricas [Livro das ] Horas do Duque de Berry, encomendado por volta de 1410, e notavelmente realizado pelos irmãos Limbourg.

O músito italiano Antonio Vivaldi (1678-1741) dedicou ao Outono o Concerto nº 3 da Opus 8 - "Il Cimento dell'Armonia e dell'Invenzione", editado em Amsterdão em 1725 - os 4 primeiros são conhecidos como "As Quatro Estações" e cada uma é acompanhada de um soneto também.
Se usarmos as 4 estações como símbolo da vida humana - a Primavera equivalendo ao nascimento e infância, o Verão ao tempo da maturidade e dos adultos, o Outono aos adultos mais velhos e o Inverno à morte -, podemos ainda encontrar na Biblioteca um livro de Gabriel Garcia Márquez que tem o sugestivo título de 'O outono do patriarca'.





Outra das actividades nos campos típicas do Outono é a recolha do mel, um adoçante muito caro até ao século XVII, realizada pelos apicultores mascarados e fumigando os cortiços e as colmeias para acalmar as abelhas - como neste desenho a tinta de Pedro Bruegel, o velho, por volta de 1568.




Nos seus últimos dias de vida, Ary dos Santos encontrava-se gravemente doente mas apesar disso resolveu empreender um projecto de compor 35 Sonetos, o que foi realizando entre Novembro de 1983 e Janeiro de 1984. Quando morreu a 18 de Janeiro de 1984 completara apenas oito. Na Biblioteca podemos encontrar esses textos e um fac-símile dos seus manuscritos no documento: VIII sonetos de Ary dos Santos

Sonata de Outono

Inverno não ainda mas Outono
a sonata que bate no meu peito
Poeta distraído cão sem dono
até na própria cama em que me deito.

Acordar é forma de ter sono
O presente o pretérito imperfeito
Mesmo eu de mim me abandono
se o vigor que me devo não respeito.

Morro de pé, mas morro devagar.
A vida é afinal o meu lugar
e só acaba quando eu quiser.

Não me deixo ficar. Não pode ser.
Peço meças ao Sol, ao Céu, ao Mar
Pois viver é também acontecer.
Ary dos Santos, 1983

Imagem do rascunho manuscrito de Ary dos Santos da segunda quadra deste soneto:





e da assinatura no final:

Anos depois os seus amigos Fernando Tordo e Carlos do Carmo deram outra voz ao poema, o primeiro compondo a música e o segundo interpretando-o.


Hoje, este fenómeno astronómico do Outono é acompanhada de um outro - uma nova Lua Cheia -, mas desta vez não há eclipse lunar visível.

Para saber e ler mais
Na Biblioteca pode encontrar muitos documentos sobre estes fenómenos astronómicos como por exemplo:

Livros
Astronomia - O Mundo da Ciência - 2, Editorial Verbo
Astronomia de A a Z de Máximo Ferreira
Astronomia de Heather Couper e Nigel
Astronomia para jovens : 101 experiências fáceis de realizar de Janice VanCleave
Dicionário visual do universo / edição: Paul Docherty,
Fotografar o céu : Manual de astrofotografia de Pedro Ré,
Introdução à astronomia e às observações astronómicas de Máximo Ferreira e Guilherme de Almeida,
O céu sob a terra : viagem pelo sistema solar de Ettore Perozzi
As revoluções dos orbes celestes de Nicolau Copérnico,
O Universo : O infinito mais próximo, coord.: Robin Kerrod
Um Sol e nove planetas de Philippe de La Cotardière,

DVD - documentário
A odisseia no espaço [DVD] : viagem aos planetas, realização de Joe Ahearne, com cerca de 151 minutos,

Mapa

O sistema solar em 12/2006 [Material cartográfico] : 8 planetas / a nova ordem cósmica suplemento da revista National Geographic, Portugal,

Periódicos
O observatório, periódico do Observatório Astronómico de Lisboa de que existem vários números,
Revista Noesis - número 79 - Outubro / Dezembro 2009,

CD - música

Concerto do Outono - Concerto para violino n.º 3 de Antonio Vivaldi [Registo sonoro], Opus 8: As quatro estações.

Um comentário:

  1. Parabéns pelo novo fôlego dado ao blogue da nossa biblioteca. Votos de bom trabalho! Vanda Alves

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