Henriques Nogueira - precursor do republicanismo
“Quisera que, num país como o nosso (… ) o governo do Estado fosse feito pelo povo e para o povo, sob a forma nobre, filosófica e prestigiosa da República.
Quisera que o poder supremo, emanado do voto universal, residisse na assembleia dos representantes do povo; e que o poder executivo fosse confiado a um ministério de três membros, nomeados pela assembleia.
Quisera que a administração da Justiça corresse imparcial, rápida e gratuita (… ).”
in Estudos sobre a reforma em Portugal, 1851, disponível na Be
O País em 1910
Portugal era um país de 6 milhões de habitantes, dos quais 75% analfabetos. A população vivia maioritariamente da agricultura, concentrando-se a escassa actividade industrial em Lisboa e Setúbal. Camponeses e operários viviam em grande pobreza, e com duras condições de vida. Por isso a emigração era elevada, para o Brasil e para os EUA.
O descontentamento com a orientação política do país era grande e o Partido Republicano crescia significativamente.
A revolução adivinhava-se!
Cronologia dos acontecimentos
Ano de 1910
25 de Agosto - quinta-feira
Nas eleições para o Parlamento, os republicanos elegem 14 deputados, o dobro do que tinham antes.
25 de Setembro - domingo
O Partido Republicano Português dá luz verde para a insurreição armada. O Almirante Cândido dos Reis será o comandante-chefe das operações.
29 de Setembro - quinta-feira
Em Lisboa, num edifício no Largo de [Teatro de] S. Carlos realiza-se a reunião decisivo do movimento revolucionário com a presença de representantes do Grão-Mestre da Maçonaria, do Partido Republicano Português e da Carbonária Portuguesa. Cândido dos Reis afirma: “É o momento!”
3 de Outubro - segunda-feira
O Dr. Miguel Bombarda, médico e director do Hospital de Rilhafoles, deputado e um dos principais dirigentes do Partido Republicano é assassinado no seu gabinete por um doente do hospital.
À noite realiza-se uma última reunião dos comandos civis e militares da revolução e, apesar de algumas indecisões, fica decidido que a revolução vai avançar a partir da uma da manhã seguinte.
4 de Outubro - terça-feira
1 hora da madrugada - Machado Santos dirige-se ao quartel do Regimento de Infantaria 16 já parcialmente sublevado. Machado Santos segue depois com 100 soldados para o Quartel de Artilharia 1 onde o capitão Afonso Palla toma conta do quartel e deixam entrar civis a quem distribui armas para se juntam aos militares e, reunidos em duas colunas, continuam outra série de movimentos, primeiro para o Palácio das Necessidades onde se encontra o rei, depois para o Quartel do Carmo, mas evitando confrontos com a Guarda Municipal resolvem concentrar-se na Rotunda onde podiam obter melhores resultados com a artilharia de que já dispunham e onde acorrem mais combatentes.
Algumas unidades militares não se revoltam e dirigem-se para o Rossio onde se concentram as forças fiéis ao governo e à monarquia, em número de 2 a 3 mil homens.
Entretanto revoltam-se os marinheiros do quartel em Alcântara e de dois cruzadores - o Adamastor e o São Rafael - que tomam posições de combate.
3 horas - O Almirante Cândido dos Reis analise a situação das prováveis forças em confronto e perante informações desmoralizadoras, anuncia o fim da revolução e suicida-se. O povo não sai para a rua. Alguns militares abandonam o campo da Rotunda mas Machado Santos resolve resistir ali.
O capitão Paiva Couceiro tenta instalar-se na Penitenciária para atacar a Rotunda mas depois de atacado por civis e pelos bombardeamentos vindo do quartel de Artilharia 1 recua.
9.30 horas - Os cruzadores Adamastor e S. Rafael posicionam-se frente a Alcântara e bombardeiam o Palácio das Necessidades onde se encontra o rei. O rei e o governo combinam a fuga para Mafra. No dia seguinte de manhã a família real embarca na Ericeira para o exílio.
12.30 horas - Paiva Couceiro começa a bombardear a Rotunda mas o confronto que se segue é-lhe desfavorável e recua.
Os cruzadores Adamastor e S. Rafael movimenta-se para frente ao Terreiro do Paço e bombardeiam o Rossio onde estavam as forças monárquicas.
23 horas - O navio-almirante D. Carlos cai finalmente nas mãos dos republicanos.
5 de Outubro - quarta-feira
3 horas - Paiva Couceiro com a ajuda de um esquadrão da Guarda Municipal instalam-se no Torel e recomeçam a bombardear a Rotunda onde já há mais tropas revolucionárias.
8 horas - O encarregado de negócios da Alemanha sobe a Avenida da Liberdade com uma bandeira branca para negociar um trégua para poder embarcar os estrangeiros residentes na cidade. Machado Santos aceita mas os populares vendo mais bandeiras brancas pensam que os monárquicos se renderam e saem de casa, invadem as ruas e apoiam os revolucionários.
A primeira bandeira a sair da Rotunda
Os soldados monárquicos pensam que os oficiais se renderam e juntam-se aos republicanos. O Quartel-general rende-se a Machado dos Santos.
9 horas - Eusébio Leão, presidente da Câmara, José Relvas e outros dirigentes republicanos entram na Câmara Municipal de Lisboa a à varanda da Praça do Município já cheia de gente, proclamam a República e são aplaudidos.
Primeiras medidas
Após a proclamação da República foi criado um governo provisório presidido por Teófilo Braga. O governo provisório tomou várias medidas que marcaram a diferença entre a Monarquia e a República:
Símbolos
A Bandeira
Para substituir a bandeira da Monarquia foram apresentadas muitas propostas. A escolha recaiu sobre uma proposta em que participou o pintor Columbano Bordalo Pinheiro, que se manteve até hoje.
Na nossa Escola temos um exemplar da 1ª edição da brochura em que a bandeira e o hino nacional depois de aprovados são apresentados publicamente.
Na Biblioteca Escolar entre outros temos os seguintes documentos:
Em forma de livro:
Os postais da 1ª República – António Ventura,
A Primeira República Portuguesa – A. H. Oliveira Marques,
Amanhecer na Rotunda – José Sequeira Gonçalves,
Operárias e burguesas – Maria Alice Samora,
O 5 de Outubro e a Primeira República – António Reis, Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada,
Uma antologia literária – Luísa, Costa Gomes, Mário Cláudio e outros,
A minha Primeira República – José Jorge Letria,
Viva a República – Ana Maria Magina,
História da 1ª República – Carlos Ferrão e outros,
Em CD-ROM:
Presidentes da República
- No átrio e na vitrina da Biblioteca encontra-se uma exposição sobre o 5 de Outubro de 1910 e o seu reflexo na imprensa em Torres Vedras.
- Na Biblioteca Municipal está patente ao público a exposição “Letras e cores” sobre a 1ª República, durante o mês de Outubro.
Debates
- No dia 6 de Outubro palas 10h30m realiza-se na BE/CRE um debate sobre a 1ª República Portuguesa e o seu impacto em Torres Vedras.









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