quinta-feira, 29 de abril de 2010

30 de Abril

30 de Abril

G de Gauss

Imaginem que … o professor Butner tinha a turma da 4ª classe. Certo dia pediu aos seus alunos para fazerem a seguinte operação matemática: “Qual é a soma de todos os números inteiros de 1 a 100?” A resposta deve ser escrita na lousa e colocada em cima da mesa do professor. Poucos segundos depois de ter enunciado as condições e a tarefa, há um menino que pega na lousa, coloca-a sobre a secretária e diz “Já está!” [no seu dialecto de camponês "Ligget se!”]. O professor esperou uma hora e verificou que os resultados estavam todos errados, menos o da primeira lousa colocada na secretária.

Qual era o resultado certo?

Como terá sido encontrado o resultado?

A história passou-se Braunschweig, uma pequena cidade do centro-norte da Alemanha, em 1787, o menino chamava-se Gauss [ou Gauß] e tinha 10 anos.

Retrato de J. Carl Friedrich Gauss, por Christian Albrecht Jensen (imagem apresentada em http://pt.wikipedia.org/wiki/Carl_Friedrich_Gauss, 20100429)

Johann Carl Friedrich Gauss [1777-1855] nasceu no dia 30 de Abril de 1777, numa família pobre, o pai era pedreiro e jardineiro e esperava que Gauss o começasse a ajudar no trabalho bem cedo, mas a mãe convenceu-o a deixá-lo ir para a escola aos 7 anos. O pai em poucos anos ficou bem convencido de que tinha valido a pena. Gauss foi um astrónomo, físico e matemático alemão muito importante na história desta ciência, a começar por esta história da soma de termos numa progressão aritmética.

Amanhã trataremos do resultado.

A de Açúcar

O de Obesidade

Precisamos de comer, a variedade de dietas, de estilos de vida saudáveis são assuntos de conversa obrigatória, mas também neste caso as modas vão e vêem, e muito do que pensamos novo ou moderno também já foi novo e moderno na vida de gerações anteriores:

“[… ] O açúcar tomou-se o grande inimigo público. Atribui-se-lhe a obesidade, a diabetes, a hipertensão, doenças cárdio-vasculares, cáries dentárias, etc. Já se desdenha do pão, o alimento do pobre (consomem-se 150 gramas por dia e por pessoa, contra 600 gramas há um século), as leguminosas e as batatas. É conveniente, doravante, deixar de ingerir 36 quilos de açúcar por pessoa e por ano. Questão de sobrevivência. [… ]

Desde que a França se desembaraçou dos pavores da subalimentação ligados à Ocupação [nazi], a barriga chata está na moda. A gordura é o inimigo; a obesidade o horror. O papão engordava à custa da carne das criancinhas, e o capitalista barrigudo, de chapéu alto e charuto, à custa do suor dos trabalhadores. Algo permanece desta mitologia. Exaltado pela burguesia da Belle Époque, por ser símbolo de status elevado, o ser-se gordo, tolerado pela plebe, é quase obsceno entre a jet society. Já em Maio de 1955 [a revista] Marie-Claire titulava: «O inimigo n.º 1 é a obesidade e a celulite». Os produtos dietéticos conhecem um imenso sucesso. Consomem-se queijos e iogurtes com «0% de matéria gorda», exactamente os mesmos de que se dispunha «sem senha» durante a guerra. Todas as manhãs se vivem alguns segundos de angústia ao subir para o pesa-pessoas*, sintagma que substituiu a palavra «balança»**, demasiado ambígua. O medo da carência cede o lugar à fobia do excesso. Significará isso que as desigualdades sociais foram abolidas relativamente à alimentação? [… ]

* “pesa-pessoas” no original em francês: “Le pèse-personne” (Nota do revisor)

** “balança” no original em francês “balance” (Nota do revisor)

E muito mais ali se encontra sobre a vida quotidiana do século XX ao escolher no índice geral ou no índice remissivo do livro História da vida privada, sob a direcção de Philippe Ariès e Georges Duby, Lisboa, Edições Afrontamento, 1991, volume 5 - Da primeira guerra mundial aos nossos dias, páginas 316 a 318, que também está à tua disposição na Biblioteca. Os quatro volumes anteriores tratam dos séculos passados desde a antiguidade clássica.

V de Vatel

E para terminarmos esta semana com outra referência à alimentação proponho que vejam um filme disponível na Biblioteca: Vatel, realizado por Roland Joffé, também produtor com Alain Goldman; o argumento foi adaptado para inglês por Tom Stoppard a partir do argumento original de Jeanne Labrune; e conta com os actores Gérard Dépardieu, Uma Thurman, Tim Roth,…

François Vatel [1631-1671] de origens humildes foi um extraordinário chefe de cozinha e encenador de grandes banquetes no tempo de Luís XIV de França. Trabalhava para o Intendente do Tesouro ou Ministro das Finanças do rei, o famoso e não menos odiado Nicolas Fouquet [1615-1680], um dos mais ricos nobres da sua época, que estava a construir um enorme Palácio ou Castelo [em francês Château] em Vaux-le-Vicomte, a 50 quilómetros a sudeste de Paris. O projecto arrancou em 1658 sob a orientação de grandes artistas por ele escolhidos - o arquitecto Louis Le Vau, o pintor Charles Le Brun e o jardineiro e paisagista André Le Nôtre.

A inauguração foi marcada para 17 de Agosto de 1661 com a presença do rei e 600 convidados, para uma festa de três dias. É aqui que o filme começa…

O cozinheiro esperava tornar-se o cozinheiro real, o ministro esperava que o banquete lhe trouxesse mais reconhecimento público mas três semanas depois foi afastado do cargo e mandado para a prisão. Mas Luís XIV deve ter ficado de tal forma impressionado com o Palácio e os Jardins que a seguir vai reunir o talento daquela mesma equipa para construir para a sua corte um Palácio / Castelo semelhante, mas maior, em Versalhes… que havia de fazer esquecer Vaux-le-Vicomte, pensava ele.

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