sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Uma história de Natal...

Como presente de Natal oferecemos a seguinte história da escritora Pearl S. Buck e que tivemos a oportunidade de ler em algumas turmas da nossa escola:


Uma manhã de Natal 

Rob tinha quinze anos e vivia numa quinta. Todas as madrugadas se arrastava para fora da cama para ajudar a mungir. Às vezes, sentia que o esforço era demasiado.
Rob gostava do pai. Não sabia até que ponto, quando um dia, um pouco antes do Natal, ouviu o pai a dizer à mãe: 

Mary, custa-me muito chamar o Rob de manhã. Ele está a crescer muito depressa e precisa de dormir. Gostava de conseguir desembaraçar-me sozinho.
Mas não consegues, Adam.
A voz da mãe era determinada.
Eu sei disse o pai lentamente mas a verdade é que me custa mesmo ter de o chamar.
Ao ouvir estas palavras, Rob sentiu algo a mexer dentro dele: o pai amava-o! Nunca antes pensara nisso. Passou a levantar-se mais depressa. O sono fazia-o tropeçar e vestia a roupa com os olhos bem fechados. Mas, mesmo assim, levantava-se.
Na véspera de Natal do ano em que fazia quinze anos, estava deitado a olhar pela janela do sótão e a desejar ter um melhor presente para o pai do que uma gravata de dez cêntimos comprada na loja.
Lá fora, as estrelas brilhavam, e havia uma em particular que lhe parecia ser a Estrela de Belém.
Pai perguntara uma vez o que é um estábulo?
É apenas um celeiro como o nosso respondera o pai.
Então Jesus nascera num celeiro, e fora para um celeiro que os pastores e os reis magos se tinham dirigido, com os seus presentes de Natal.
Ficou siderado com a ideia. Por que não dar um presente especial ao pai? Podia levantar-se cedo, mais cedo do que as quatro horas, e esgueirar-se para o celeiro para mungir. Faria tudo mungir e limpar sozinho. Quando o pai chegasse, veria tudo já feito. E saberia quem o fizera.
Nessa noite, deve ter acordado umas vinte vezes. Às três menos um quarto, levantou-se e vestiu-se. Desceu 
silenciosamente as escadas, tendo especial cuidado com as tábuas que rangiam, e saiu. Uma grande estrela cor de ouro avermelhado pairava por cima do celeiro. As vacas olhavam- no, sonolentas e surpreendidas.
Nunca antes mungira sozinho, mas parecia fácil. Não parava de pensar na surpresa que o pai teria. Sorria e mungia com segurança, deitando para a selha dois fortes jactos, espumosos e perfumados. As vacas estavam surpreendidas mas anuíam. Era a primeira vez que se portavam bem, como se soubessem que era Natal.
A tarefa foi desempenhada com mais facilidade do que habitualmente. Pela primeira vez, mungir não era penoso. Era algo de diferente: um presente para um pai que o amava.
De volta ao quarto, só teve tempo de tirar a roupa no escuro e de saltar para a cama, porque já ouvia o pai a levantar-se. Cobriu a cabeça com os lençóis para silenciar a respiração ofegante. A porta abriu-se.
Rob! chamou o pai. Temos de nos levantar, filho, mesmo sendo Natal.
― ‘Tá bem ― disse com sono.
Vou indo disse o pai. Vou pondo as coisas a andar.
A porta fechou-se e Rob ficou quieto, a rir com os seus botões. Os minutos nunca mais passavam dez, quinze, não sabia quantos até que ouviu de novo os passos do pai.
Rob!
Sim, Pai?
O pai estava a rir, um riso esquisito, soluçante.
Pensavas que me enganavas, não?
É por ser Natal, Pai! 


O pai sentou-se na cama e apertou-o contra si, num grande abraço. Estava escuro e não conseguiam ver os rostos um do outro.
― Agradeço-te, filho. Nunca ninguém fez coisa mais bonita...
― Oh, Pai.
Não sabia o que dizer. O seu coração transbordava de amor.
― Bom, parece que posso voltar para a cama, ― disse o pai, volvido um momento. ― Espera... estás a ouvir? Os pequeninos já estão a acordar. Agora que penso nisso, nunca vos vi a olhar pela primeira vez para a árvore de Natal. Estava sempre no celeiro. Anda daí!
Rob levantou-se, vestiu-se de novo e desceram para ver a árvore de Natal. Depressa o Sol tomou o lugar da estrela. Oh, que Natal aquele, e como o seu coração quase rebentou de timidez e alegria quando o pai contou à mãe e aos mais novos que ele, Rob, se tinha levantado sozinho.
― O melhor presente de Natal que alguma vez tive, e hei-de recordá-lo, meu filho, todos os anos na manhã de Natal, enquanto for vivo.

retirado de 
 (consultado em 20/12/2013) 





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