[Imagem da wikipedia: http://en.wikipedia.org/wiki/File:1774_lynching.jpg]
1. Esta caricatura - “Os habitantes de Boston pagam ao fiscal das finanças!” -, impressa em 1774 e atribuída a P. Dawe, reúne alguns momentos da história da independência dos Estados Unidos da América.
Em primeiro plano, um grupo de “Filhos da Liberdade” apanham John Malcolm, o fiscal das finanças local, o ‘excise man’, que aplicava a Lei do Imposto de Selo, o ‘Stamp Act’ aprovado pelo Parlamento inglês em 1765. Depois de o cobrirem de alcatrão e penas de galinha, obrigam-no a beber chá directamente do bule. O mercado do chá era monopólio da metrópole e recentemente tinha sido objecto de nova taxa.
Tudo isto se passa debaixo de uma árvore, talvez um ulmeiro, onde se pode ler ‘Liberty tree’, a ‘árvore da Liberdade’, e logo abaixo o ‘Stamp Act’ afixado de pernas para o ar! De um dos ramos pende uma corda com nó com que ameaçam enforcar!
Em segundo plano, à esquerda, podemos observar um navio mercante inglês, carregado de caixotes de chá com destino a Inglaterra que alguns colonos destroem deitando tudo ao mar.
2. De facto, em Boston, cidade com um grande porto na colónia de Massachusetts, no dia 16 de Dezembro de 1773, uma quinta-feira, George Hewes (1748-1840), Samuel Adams(1722 - 1803) e outros amigos como o comerciante John Hancock (1737-1793), reuniram-se para tomar chá em grupo, uma festa, um tea party, uma moda inglesa que os colonos adoptaram. A seguir ao encontro, despiram-se, pintaram-se de vermelho e mascararam-se de índios; tomando uma piroga, encaminharam-se para os navios mercantes ingleses da Companhia Britânica das Índias Orientais atracados no porto, subiram a bordo e despejaram no mar 343 caixotes de chá com destino a Inglaterra, carga avaliada na altura em 100 000 libras, uma enorme soma de dinheiro. O acontecimento ficaria para a história como o “Boston Tea Party”.
Quem foi Samuel Adams? Natural de Boston, foi um político americano, considerado um dos “pais fundadores” do país, que participou em muitos momentos do conflito entre as colónias e a metrópole, até à proclamação da independência das Colónias / Estados Unidos da América, e ainda depois dela. Seu primo John Adams seria o segundo presidente dos Estados Unidos.
O contexto mental desse período foi marcado pela valorização da razão humana para perceber e descobrir as leis do mundo, pensamento racionalista ampliado a partir do Renascimento, um movimento depois chamado Iluminismo, o século como ‘Século das Luzes”, a era como a ‘Era da Razão’: uma crescente fé na razão, de que resultava uma confiança em descobrir os segredos da natureza, o desenvolvimento da ciência e das tecnologias que há-de marcar a Revolução Industrial. No campo económico a riqueza das potências europeias cresce muito com as colónias na América e na Ásia. Filósofos e pensadores como Montesquieu, Rousseau, Voltaire, Locke, Diderot e D'Alembert divulgaram ideias de liberdade, igualdade e justiça que se espalham a partir da Europa Central.
Do ponto de vista político, em meados do século XVIII várias potências europeias detinham importantes colónias no continente americano: Portugal com o enorme território do Brasil na América do Sul, a Espanha com vários territórios: Florida na América do Norte, México na América Central e vários territórios na América do Sul, ao longo da cadeia dos Andes, a França com alguns territórios na América do Norte, e a Inglaterra que detinha 13 importantes colónias ao longo da costa do Atlântico: Massachusetts, Rhode Island, Connecticut, Nova Hampshire, Nova Jersei, Nova Iorque, Pensilvânia, Delaware, Virgínia, Maryland, Carolina do Norte, Carolina do Sul e Geórgia.
A questão dos impostos contestados pelos colonos americanos tinha ainda outra causa próxima: a Guerra dos Sete Anos. Esta guerra, mais uma entre potências europeias, terminara em 1763 com o Tratado de Paris, depois de enormes custos humanos e económicos, sem grandes resultados para os intervenientes, se exceptuarmos a inclusão do território do Canadá no império britânico.
A Inglaterra necessitava de mais receitas; solução: obrigar as colónias a escrever todos os negócios em papel selado vendido por fiscais das finanças. A lei desagradou aos colonos e os mercadores da metrópole ficaram preocupados com as consequências da instabilidade nas colónias para os seus negócios. Resultado: algum tempo a lei foi revogada e os colonos celebraram com vinho da Madeira, o seu preferido.
Posteriormente o governo inglês aprovou uma taxa apenas sobre o chá. Quando se deu conta das reacções dos colonos, anulou a taxa mas já era tarde de mais.
Um dos fundamentos para os protestos dos colonos americanos contra o papel selado antes e depois contra a taxa sobre as importações de chá, proposta pelo governo e votada pelo parlamento de Londres, sem que tivesse sido dada qualquer possibilidade de discussão ou votação por parte dos colonos que não estavam representados no parlamento de Londres. Os colonos repetiam “sem representação não há imposições”, sugerindo uma solução semelhante aos cidadãos do Reino Unido que elegiam os seus representantes. No Parlamento de Londres alguém se referiu aos colonos americanos como os “filhos da liberdade” por defenderem uma posição que também estava na origem do próprio parlamento inglês. Essa expressão será acarinhada pelos colonos e nas várias colónias nascem grupos de “Filhos da Liberdade” que depois se distinguirão pela celebração das árvores como símbolos da “Árvore da Liberdade” e pela colocação ao longo das estradas de postes com o barrete frígio, símbolo da liberdade, no cimo. Os soldados ingleses destruíam-nos, os colonos punham novos.
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| Selo do Senado dos Estados Unidos [imagem da Wikimedia sob a Licença Creative Commons] |
Ainda hoje o barrete frígio aparece no selo oficial do Senado norte-americano, assim como a bandeira da independência com 6 barras vermelhas e 7 brancas, simbolizando, como as estrelas, as 13 colónias que proclamaram a independência. As barras passaram depois ao número inverso - 7 vermelhas e 6 brancas - e as estrelas foram crescendo até às actuais 50, representando os 50 Estados Unidos.
Quando soube do ‘Boston Tea Party’, o rei de Inglaterra Jorge III decidiu obrigar os colonos a pagar o reembolso do valor da carga de chá.
Esta medida levou os colonos a novos conflitos a que seguiu uma guerra entre as colónias e a coroa britânica. As 13 colónias unidas proclamam a independência a 4 de Julho de 1776, a que se segue a redacção da constituição, a primeira dos países modernos, garantia dos direitos e liberdades fundamentais - vida, liberdade, felicidade -, da igualdade perante a lei, e uma forte preocupação num estado republicano que nunca possa ser uma monarquia. O hino e as bandeiras evoluem progressivamente.
A guerra só terminou 10 anos depois do ‘Boston Tea Party’, com o reconhecimento da Independência dos Estados Unidos da América pela Inglaterra a 3 de Setembro de 1783 ao assinar o Tratado de Versalhes.
Sobre estes acontecimentos a Biblioteca disponibiliza alguns documentos como:
- o filme O patriota, (registo V264), realizado por Roland Emmerich, com Mel Gibson no papel principal, representando Benjamin Martin, um lendário homem da guerra que se encontra bem no centro da revolução americana, no estado da Carolina do Sul em 1776.
os livros:
- o filme O patriota, (registo V264), realizado por Roland Emmerich, com Mel Gibson no papel principal, representando Benjamin Martin, um lendário homem da guerra que se encontra bem no centro da revolução americana, no estado da Carolina do Sul em 1776.
os livros:
- Great Britain and the U.S.A. 2 : past and present : a choice of british and american prose passages and poems for advanced students : book II - the U.S.A. (Registo 2726),
- An Illustrated History of the USA (Registo 446),
- America : past & present : volume II - the chalenge of new frontiers (Registo 2723)
e os artigos sobre os EUA nas enciclopedias em inglês:
- The New Caxton Encyclopedia, em 20 volumes (Registos 3019 a 3038) e
- Collier's Encyclopedia, em 24 volumes (Registoa 6623 a 6646)
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Para rever a atitude de não violência de Gandhi na luta pela independência da Índia:Mahatma Gandhi, (registo vídeo D108), editado pelo Canal História, em 2004, - um documentário sobre a história da vida e das ideias de Mahatma Gandhi, que num mundo cheio de conflitos provou que a violência não era o único caminho para a mudança e se tornou o líder que conduziu à independência da Índia
ou
o um filme Gandhi, realizado por Richard Attenborough, com Ben Kingsley no papel de Gandhi, (Sony Pictures, 2005):
Resumo: Mahatma Gandhi não governou nenhum país, mas conseguiu o que ninguém tinha conseguido antes: conduzir um país para a liberdade e ser a esperança de todo um povo. Este filme inesquecível recorda a personalidade de Gandhi, o homem do século, a sua vida, as suas ideias e o poder que alcançou, com cenas tão espectaculares como o massacre de Amristar, onde os britânicos dispararam contra 15.000 indianos desarmados, mulheres e crianças, e a incrível marcha até ao mar em que Gandhi arrastou milhares de compatriotas para demonstrar que o sal do mar pertencia a todos e que não era de uso exclusivo dos britânicos...(registo vídeo D048)
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Mas 16 de Dezembro é também a data do nascimento de Beethoven em 1770
e, em 1886, do artista Wassily Kandinsky.
Na Biblioteca encontras um dos seus livros: O futuro da pintura.
A 16 de Dezembro de 1859 morre Wilhelm Grimm, um dos irmãos Grimm, criadores de muitas histórias infantis como “Branca de Neve” - nele é baseado o filme Snow white, realizado por Caroline Thompson, com Miranda Richardson e Kristin Kreuk, que podes encontrar na Biblioteca
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Em 1838, na África do Sul, termina em banho de sangue a batalha de colonos holandeses e franceses contra as tribos Zulu, nas margens do Rio Ncome, acontecimento que ficou para a história com o nome de Batalha do Rio de Sangue e foi para os ‘afrikaans’ um momento decisivo para a formação dos Bóeres e de uma situação que só começou a mudar no século XX com a abolição das leis do apartheid.
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