1º Prémio do Concurso de Escrita da Biblioteca da Escola Secundária Henriques Nogueira
Tema: Tenho medo de mim próprio
Categoria: Terceiro Ciclo do Ensino Básico
« Caminho por entre a escuridão, procuro um refúgio para me proteger de mim mesma. As lágrimas deslizam pela minha face, até sentir o sabor salgado. Não sei o porquê, não sei como, só sei que estou aqui e daqui não quero sair.
Provavelmente não sou a única que procura um esconderijo para se refugiar, mas pouco me importa…
Ouvi os passos de alguém. Não tive a preocupação de olhar, porque estava sem paciência.
- Pensei que uma menina tão bonita como tu não se refugiasse num lugar como este, tão escuro e frio. Por que choras? – era o tal desconhecido, a quem pertencia o andar calmo e despreocupado.
- O escuro é o meu melhor refúgio, ninguém me ouve, ninguém me vê. É como se já não pertencesse ao mundo. – respondi eu, com alguns soluços entre as palavras.
Os seus olhos fixaram-se nos meus, senti o coração a acelerar. Parecia haver uma cumplicidade entre nós. Apesar de só o ter conhecido há poucos minutos, parecia que éramos amigos de longa data.
- Fecha os olhos e pensa numa coisa que te deixe sempre alegre. – disse ele, sorrindo.
Fechei os olhos e vi a imagem de uma criança a correr por entre um campo de flores, ela sorria e tinha alguém ao seu lado, alguém que me parecia familiar: a minha mãe.
Eu gostava de recordar a minha infância, pois sabia que iria sempre acabar por esboçar um sorriso, porque tinha sido feliz ao lado das pessoas que se preocupavam comigo.
Abri os olhos e ele já lá não estava. Fiquei confusa, tudo parecia ter sido um sonho, parecia que estava a alucinar…
Tenho medo de já não ser a mesma pessoa, tenho medo de perder quem mais gosto, tenho medo que já não gostem de mim. Não quero voltar a cometer mais erros, não quero voltar a chorar por pessoas que não merecem. Só quero fugir daqui e ficar longe de tudo e de todos.
Levantei-me do chão frio e caminhei até um prado de flores, onde tinha passado os melhores momentos da minha vida. Comecei a correr e de repente senti que já não tinha os pés no chão, senti tudo a andar à volta e vi alguém com o rosto preocupado em cima de mim. Só me lembro de acordar e ver esse mesmo rosto a perguntar-me:
- Estás bem? O que se passou? Estás doida?! – ele tinha voltado, o nosso destino programou encontrarmo-nos outra vez.
- Aah…Sim. – respondi com a mão na cabeça – Por que estás aqui?
- Eu…Vim dar uma volta e vi-te e, quando ia ter contigo, já estavas no chão. Resolvi ajudar-te. – afirmou, embaraçado.
- Oh, obrigada pela preocupação. – não conseguia dizer coisa com coisa.
Os nossos olhares, mais uma vez, cruzaram-se e eu estremeci. Voltei-me e fui embora.
Enquanto caminhava, pensei no quanto aquele desconhecido me tinha cativado, no olhar que ele me lançara, e lembrei-me do que me fazia ficar triste todos os dias. O que eu me tinha esquecido durante alguns segundos, tornara a invadir os meus pensamentos.
Aquele sorriso, aqueles olhos, aquele cabelo castanho que brilhava à luz do sol e do luar…Nem quero pensar se estou apaixonada por aqueles olhos, não quero pensar se os meus sentimentos não coincidem com os seus. Tenho medo de mim e dos meus sentimentos.»
A minha colega fez um optimo trabalho em fazer esta "obra de arte", e foi bem merecida. Gostaria de felicitar aos cinco alunos que ganharam neste concurso e espero ver em breve os resultados das "Palavras Sentidas", pois eu e o nº14 da minha turma concorremos no mesmo. Espero ouvir novas dos contribuidores,
ResponderExcluirSr.JoséBatista